quinta-feira, 7 de setembro de 2017

VOZIO

Pela sua voz
Outras falam.
Uma bruxa canibal
Vem da Idade Média
(Da de antes e da de hoje)
Para vibrar
Com suas cordas vocais,
Comer a carne de
Algumas palavras.
Uma castratrix
Asfixia seu som
E provoca estalos.
Nulifica sílabas.
Uma radfem virtual
Entretém uma treta,
Uma teia (anti)comunicativa
Que ergue a armação
Da noite e além.
Tecnovamp,
Suga um pouco
O sangue do recém-dia
Para, em paz,
Dormir na própria
Desapropriada voz. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

SEM TÍTULO (UM TOQUE DE GOUACHE,)

Um toque de gouache,
Gauche – desvio de cor
Que coloriu
Algum desavisado branco,
Já antes de branco colorido.
Não se sabe se de gáudio
O desvio se aventura,
Ou se porventura de rebeldia,
Deslize de um dia
Sem sal ou saldo
De alegria.
Da beleza ou do horror,
Da dor ou do prazer,
O toque criou
(Se cria)
O rumo estranho,
Sempre um rumo
Onde há
O que não havia.    

domingo, 3 de setembro de 2017

SEM TÍTULO (BORBOLETAS BÊBADAS)

Borboletas bêbadas
Roçam os indícios da lua
Que sua íris envolve,
Embriaga.
Uma luminescência espaneja
O gouache de uma cor
Que escapou de uma asa
E se perdeu no ar,
Se misturou
Com outras cores do ar.
Há uma incessante combinação
No ar...
Agora noir. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

PLENUGEM

A pele morcega
Envolve a pisciana escama,
Que esconde a película,
Himeneia película
De nenhuma pele conhecida.
A pele serpentina,
A tarantulina penugem,
A carapaça rino
E a pele de seda
Cedendo ao meu toque
De alterpele - a mesma.
Xenopeles - as mesmas
- Terráqueas,
Desconhecidas,
Encapsulando
A couraça do poema.
Penugem, pele, salsugem
E o céu:
Asas plenas – de planugem.
Peles de seda,
E as ensanguadas,
Todas alter
Em outras alter
- As mesmas;
Confusas, múltiplas,
Compactadas.
Pele do mundo
- Todas, altertodas,
Nenhuma, as mesmas.
Dormem, sonham, tocam, vivem
As peles, pelas peles.
A seda, o mundo
E a pele sensual das lesmas. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

TENSIVO

Opalináceas revoam o céu heráldico,
Azul-leitoso como a beleza vaga
De um desmaio de sono.
Uma permuta de oscilações,
Um delírio cromático –
Cromo em Cronos – tenta
Destruir a representação,
Marchetando o mundo
Pelo ouriveso de algum oculto artista.
Entre o representado e a destruição,
Frincho as palavras,
Exaspero o desejo da tensão.  

segunda-feira, 19 de junho de 2017

SEM TÍTULO (O BODE DIVINO)

O bode divino
Em estado de dor e aleluia
Estertora, convulso,
Ora na confusão
De procurar no corpo
Todos os seus pênis
E vaginas.
Seus ouvidos afeitos
Aos salmos, aos cantos
E às recitações aforísticas
Já não distinguem
Entre o que entoa
A vagina da testa
E os seis ânus
Do abdômen.
Excitado com a confusão,
Com a dor e com a luz,
Os pênis da cabeça
Imitam a coroa de espinhos.
O bode divino
Bale o bafio da besta
Com saudades
Do corpo de Deus.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

SEM TÍTULO (MAIS LEVE QUE FÉCULA,)

Mais leve que fécula,
Mínima como gesto de feto,
Precisa como ponta de faca,
Inconsciente como a vida,
E ao mesmo tempo
Ática fácula,
É a película de saliva
Que recobre um seu dente
Quando quase fala
Algo que só se fala
Quando a luz se acalma.